O futuro nos representa?

Quando era criança, eu tinha muita curiosidade em saber como seria o futuro. A ideia de que o futuro seria um lugar melhor e mais justo pras pessoas nunca saiu da minha cabeça. Ainda não sei como vai ser no futuro, mas hoje (28/06), no dia Orgulho LGBTQ+, vejo que a esperança de um cenário mais diverso e inclusivo contrasta com os números do presente – que mostram uma realidade bem diferente.

No país líder mundial em assassinatos de transexuais, que registra uma morte por homofobia a cada 16 horas  e onde 61% dos funcionários LGBTQ+ optam por esconder sua sexualidade dos colegas e líderes, ser gay e empreendedor é um exercício diário de sentar à mesa com clientes, parceiros e fornecedores e provocar essa conversa.

Que empreender no Brasil não é para os fracos você já deve ter ouvido falar. Conservador nos valores, nas ideias e nos negócios, o empreendedor brasileiro ainda é pouco receptivo à ideia de diversidade no trabalho, fator indispensável quando o assunto é inovação e criatividade. Seguimos na contramão de políticas de inclusão difundidas pelas empresas mais inovadoras e lucrativas do mundo, como Google, Apple e IDEO, por exemplo.

Equipes pouco diversas, compostas por pessoas semelhantes, que pensam e agem da mesma forma, possuem uma visão limitada do mundo, dos clientes e da sociedade. Além disso, são menos criativas, pois não convivem diariamente com diferentes pontos de vista. 

Estar aberto à diversidade é uma qualidade essencial para empresas que querem se manter relevantes em um mercado cada vez mais volátil, inconstante e ambíguo, onde vontades, desejos e necessidades mudam tão rápido quanto a tecnologia.

Se por um lado falta representatividade e referências de profissionais LGBTQ+ ocupando espaços de liderança nas empresas, poder ter esse diálogo com os clientes é, de certa forma, um privilégio que tem gerado trocas e experiências significativas aqui na Move. Tanto para mim, profissional criativo que precisa se manter aberto ao que é diferente da minha própria realidade, quanto para os clientes, que ampliam suas percepções a partir da vivência e interação com a nossa equipe.

Diversidade não é mimimi. A ideia de uma sociedade segregada, que agride e exclui o que é diferente nos coloca em direção a um futuro perigoso. Nossa história é pautada por grandes injustiças praticadas por grupos que se consideravam melhores do que outros. Escravidão, nazismo, sexismo e xenofobia revelam o que acontece quando não sabemos conviver com as diferenças. O futuro é fruto das ações que adotamos no presente e da nossa capacidade de evitar reproduzir os erros do passado. 

Conviver com a diversidade nos ensina a ser mais tolerantes, a observar o mundo com outras lentes e a enxergar o outro além de rótulos e estereótipos. 

A luta do movimento LGBTQ+ avança, cada vez mais fortalecida, ocupando novos espaços, provocando conversas, conquistando visibilidade e respeito, sem pedir passagem. Aqueles que não estiverem à vontade com as diferenças estarão fadados a fazerem parte de um passado cada vez mais distante e vergonhoso. Que venha o futuro! 🥂💋🏳️‍🌈

 

*Por Claudio Mendes, gestor de projetos da Move.

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